Almoço na cama – Parte I

Após algumas semanas de indecisão e enorme luta interna, decidi tomar a iniciativa.
Se por um lado não tínhamos outras alternativas viáveis a encontros com mais liberdade eu tinha que admitir que, no meu fundo, estava bastante entusiasmada com a perspetiva de um encontro furtivo num hotel.
Disse-lhe:

“Acho que vou então procurar hotéis aqui perto.”

Ele ficou louco e a partir desse momento só queria saber quando e onde! Saber que o tinha deixado nesse estado só pela expectativa alimentava e muito a minha motivação.
Iniciei a minha tarefa na internet e rapidamente encontrei um local que correspondia: era perto e tinha um ar razoável.
A fase seguinte era abordar o hotel para uma reserva à hora de almoço durante um par de horas – esta situação gritava sexo casual por isso inventei uma história:

“Uma surpresa de aniversário para o meu companheiro…”

Mais tarde apercebi-me que tinha sido totalmente desnecessário a preocupação com uma história credível. O rapaz da receção pareceu bastante à vontade o que me leva a crer que este tipo de “reservas” é comum. O mundo afinal não é tão cinzento como parece. Esta solidariedade anónima na libertinagem… tem a sua graça e não consegui evitar um sorriso.

Como a data do encontro se ia aproximando falávamos mais dos nossos gostos… Ele queria saber como me poderia agradar e eu queria ter uma antevisão do que me esperava.
Nós mulheres somos assim… Dizemos que queremos ser surpreendidas, mas depois não adbicamos do controlo da situação… um bocadinho tem de ficar sempre nas nossas mãos, nem que seja ter o controlo sobre o controlo de que vamos abdicar.

A nossa breve história já tinha uns episódios interessantes, encontros em jardins, em salas desertas no escritório e até no carro numa certa noite quente. Mas seria uma primeira vez neste enquadramento de total privacidade, num quarto de hotel à hora de almoço de um dia de trabalho…

À medida que ele me colocava questões ou puxava temas, eu ia formando a minha personagem nesta aventura.
Sim, ia testar limites e sair da minha zona de conforto e este tipo parecia-me o ideal.
Mais velho, respeitador, muito calmo, extremamente inteligente e com uma enorme tesão por mim.
Pensei “miúda, agora sim, vais descobrir o que gostas”.

Entusiasmada com a situação, comprei uma lingerie nova provocante e disse-lhe que tinha uma surpresa para ele… Ele perguntou se era kinky, eu deixei a resposta no ar. Ele afirmou que também tinha surpresas para mim.
Se era kinky ao nível dele não sei… O soutien era atrevido, apenas cobria a parte de baixo da mama e tinha uma fita de renda sobre o mamilo.
O efeito era lindo pois parecia que elas estavam a transbordar e quando eu estava excitada melhor ainda, os bicos rijos ficavam muito bem por baixo de uma renda suave.
Para tornar a coisa mais picante tinha uns elásticos que cruzavam no centro do peito, fazendo um enquadramento perfeito.
As cuecas eram simples: renda preta transparente. A luz da ribalta tinha que ser para o meu peito espartilhado.
Sentia-me super sexy.

No dia “x” à hora “y” meti-me a caminho, cheguei à receção do hotel e o jovem que me atendeu era o mesmo com quem tinha falado ao telefone… Relaxei… Fiz o check in, entreguei a minha documentação (a medo) e paguei em dinheiro.
Ele indicou-me o número do quarto e eu já sem um pingo de vergonha digo que espero uma pessoa.
No elevador mando uma SMS ao parceiro do crime a indicar o nº. do quarto.

Ainda sem acreditar que tinha ganho coragem para estar ali, entro no quarto e fecho a porta. Pouso a minha mala no toucador, tiro a escova e aliso o meu cabelo enquanto me olho no espelho… Safada!
Ligo a música no telemóvel… Escolhi o novo álbum da Banks para a ocasião.
Sento-me na cama e aguardo… Minutos que parecem horas…

Continua

Ilustrações:http://apolloniasaintclair.tumblr.com

 

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