A iniciação d’ela

Chegamos, está uma noite fria, o que nos obriga a trazer sobretudos longos. Está escuro e o ar húmido, mas a ópera necessita de um certo ambiente taciturno e este é perfeito.

Existe já bastante agitação à porta, mas a expressão do porteiro denuncia que a frequência de muitos anos oferece alguns privilégios, passamos rapidamente por uma porta lateral e dirigimo-nos ao bengaleiro. Ajudo-a a retirar o sobretudo e só nesse momento, reparo no vestido dela, preto, de seda, escorrido pelo seu próprio peso sob o corpo como uma segunda pele. Deslumbrante.

Cumprimentamos algumas pessoas que se dirigem a nós numa cadência ritmada e educada até que lhe assinalo que nos devemos despachar. Dirigimo-nos para a longa escadaria, estendo-lhe o braço e subimos como se não tivéssemos peso algum, porventura já encantados pela Flauta Mágica de Mozart que em breve ouviremos.

Chegamos ao nosso camarote, uma posição privilegiada sobre o palco, sem perder a visão do ambiente que nos cerca. Os camarotes do São Carlos têm esta qualidade ambivalente, se por um lado nos fazem acreditar que estamos protegidos de olhares indiscretos, expõem-nos mais que qualquer um dos lugares da plateia.

Reservo-lhe a cadeira mais à frente e eu sento-me na outra ligeiramente atrás.
A sala está quase cheia e sente-se uma excitação no ar, não se ouve Mozart aqui há mais de 15 anos.
Sussurro-lhe, vais gostar do primeiro acto, mas o melhor acontece no segundo.
Dou-lhe uma pequena introdução ao libreto enquanto ela confessa esperar há muito por este momento. A ópera é o espectáculo maior entre todos e Mozart um deus.
Chega a tempo o champanhe que pedi, somos servidos e brindamos

Às noites que valem por vidas inteiras

A orquestra inicia a abertura e o palco agita-se ao ritmo de um elenco de luxo. Sempre que vou à ópera imagino, como seria extraordinário o prazer de ver Calas ali, no papel da princesa Pamina.
O primeira acto termina e ela parece ter adorado, tem mil perguntas, mas digo-lhe que responderei mais tarde, não devemos permitir que a racionalidade se intrometa agora.

Sempre achei mágicos os pequenos barulhos que vêm por detrás das longas cortinas enquanto mudam a cenografia para o segundo acto. Divertimo-nos a imaginar o que podem estar a fazer, ela faz algumas sugestões, sugestivas, eu digo, quem sabe…
Bebemos mais um pouco mais de champanhe.

O segundo acto começa.
Há uma luz que incide na scostas dela, descobertas pelo vestido aberto quase até ao coxis. Aproximo-me, ele pressente-o. Com uma mão afasto o cabelo para o lado esquerdo, e desnudo o pescoço até ao ombro. Beijá-lo é agora irresistível. Faço de uma forma tão lenta que lhe permito sentir o contacto com o calor da minha respiração um segundo antes dos lábios. Ela tem um primeiro tremor, que acalmo colocando ambas as mãos no topo dos braços como se os colocasse de novo no seu lugar junto aos ombros. Percorro-lhe a pele com a ponta da língua até chegar àquele ponto ínfimo mas mágico, onde o pescoço termina e o ombro começa.

Enquanto o faço encosto o meu peito às suas costas e as minhas mãos deslizam agora pelo vestido, percorrendo a sua cintura, contornando as ancas, seguindo as coxas até chegar aos joelhos que contorno firmemente com as mãos abertas.

Ele solta o primeiro gemido e ajeita-se na cadeira para se colar ainda mais ao meu peito.
As minhas mãos percorrem agora ainda mais lentamente o interior das suas coxas enquanto as pressiona para que se abram entre si. Subo e arrasto o vestido revelando o nylon das suas meias pretas. Ela abre voluntariamente mais as pernas, chego ao fim das meias e tenho o primeiro a contacto com a pele, enquanto lhe mordo levemente o lóbulo da orelha, e digo-lhe ao ouvido, hoje morres e nasces de novo, para mim.

Mata-me então

Diz ela.
Os meus dedos sentem já o calor que emana dela, um calor pulsante, inebriante. Ela abre o mais que pode as pernas, e diz “é tua, usa-a”. Uma das mãos, afasta para um dos lados as cuecas enquanto um só dedo da outra, lhe percorre a cona, de baixo para cima, lentamente, por entre os lábios, mas sem penetrar. Com ajuda dos dedos da mão que segura as cuecas abro-lha para que revele o clitóris saliente, acaricio-o com a firmeza certa, ela solta um grito que denuncia o que fazemos aos camarotes ao nosso lado, ouve-se um schhhhhhhhhhiu. Ela diz:

Achas que devemos parar?

Eu respondo:

Não, tu és o segundo acto, e todos os que vierem a seguir

Escrito por Ele

Ilustrações:http://nataliekrim.com/

2 thoughts on “A iniciação d’ela

  1. O melhor deste blog é a combinação de sexo quente e explícito com bom gosto. Fui ao S Carlos no início desta temporada e apeteceu-me muito fazer o mesmo. Infelizmente já só havia lugares na plateia…

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